20.12.05

Novas

Sumi!

Pra ser sincera, esqueci que tinha blog...

Esqueci mesmo...

Mas não é nada pra se envergonhar, porque esse negócio de blog é inútil mesmo.

Só pra bater ponto, voltei.

Confesso que não é mais tão legal... Não sei porque tinha me empolgado tanto com isso. Acho que acabou virando obrigação, aí larguei pra lá...

Não tenho mais nada pra desabafar, porque tudo está bem. E é claro que não vou ficar colocando minhas "obras-primas" aqui, porque neguinho pode roubar, aí me dano, porque nunca me garanto no que diz respeito a "escrever outra melhor depois".

Tudo está bem: passei na seleção do mestrado, minha irmã passou de ano nos 47 do segundo tempo, vou passar o reveillon em Paris. Só tenho o que comemorar e detesto comemorar coisas em público. Comemorar é só com a família e com os melhores amigos. Comemorar no blog não dá...

Mas voltei aqui só pra dar um alô... Prometo ter idéias nem tão boas nem tão ruins que fiquem bem nestas páginas negras. Ultimamente, não tenho tido idéia nenhuma. Só penso em mim e para mim. Talvez por conta desse egoísmo todo, não tenho tido vontade de voltar aqui... E, pra ser sincera, talvez nem volte mais, mas quem sabe?

17.11.05

Cabeceira

O tempo passa
no relógio solitário.
Também ele é solitário
- o tempo -
e nele passo;
calculando solidão
no ponteiro.

16.11.05

Sentado à beira da cama

Sentado à beira da cama
Calça o pensamento a meia esquerda-
Fita paredes, teto
Esquece
E pensativo, sempre, fita o objeto.

Vagueia a distingui-lo
Repara-lhe dormente os contornos
Tateia vago buscando
Segurá-lo entre lúbricos dedos

Fere-lhe os olhos a cor
E a ferida
Paraliza e agrada

Teleguiado objeto
Flutua ao pé direito

Evapora o pensamento.

14.11.05

Explosão

A explosão, às vezes, é necessária. No texto "Preto e Branco", confesso que dei uma explodida básica, mas muito necessária, pois era um assunto velho que estava me sufocando. Felizmente, recebi alguns emails elogiando e muitos também discordando, o que é sempre mais excitante. Pra esclarecer algumas dúvidas que posso ter levantado, vou postar aqui minhas últimas duas respostas a esses emails (levemente modificadas), que são também as mais abrangentes. Pra esclarecer e também porque to meio sem tempo pra escrever coisas novas e mais interessantes. Aí vai:

1) "Adorei seu email, mas se você tivesse lido mais de mil páginas sobre o Romantismo, ia estar xingando o sentimentalismo até mais do que eu!Eu não acho que o sentimentalismo deva acabar, só acho que, no século XXI, ele deveria ser apenas mais uma opção e não o rei das opções. São muitos os artistas não-sentimentalistas, mas poucos são os que fazem sucesso assim, pois, já que eles não VENDEM, nenhum empresário poderoso ou gravadora investe neles. Eles só investem no que é óbvio demais, no que não exige esforço do público, pois é isso que vende, que dá retorno pro bolso deles. Na minha opinião, isso cria um ciclo vicioso, pois o público, influenciado por tudo o que faz sucesso, se acostuma a esse tipo de arte fácil, "pré-digerida" e não aprende a pensar, a gostar de coisas mais sofisticadas, de outros climas. Se os poderosos popularizassem a arte mais complexa, mais trabalhada, feita por verdadeiros artistas que levam a sério sua profissão (ao invés de alguém que fez tudo só pra fazer sucesso), o povo se habituaria a pensar, não seria tão manipulável. E isso É possível, pois propaganda é a alma do negócio. O que me emputece é que esses poderosos, em sua grande maioria, não entendem NADA de arte, eles não passam de MARKETEIROS, empresários que querem ganhar dinheiro, que estudam o mercado, descobrem o que as pessoas querem comprar, fabricam aquilo e vendem. A arte que está por aí hoje em dia, que eu considero terrivelmente sentimental, foi FABRICADA por empresários, é um PRODUTO. Isso me atinge e me revolta, pois existem milhões de pessoas talentosas por aí que não fazem sucesso e morrem sem ser reconhecidas só porque ninguém teve a ousadia, o dinheiro e a visão para investir nelas. É claro que hoje existem muitos artistas alternativos que fazem sucesso, mas eles nunca atingem o POVÃO, os interiores do país. Por exemplo: os Los Hermanos são super inteligentes, alternativos e visionários e têm um público grande, mas que nem se compara ao do Zezé de Camargo e Luciano. Não que o Zezé e o Luciano sejam ruins (adoro eles!), só acho que os Los Hermanos tinham que ter esse alcance TAMBÉM. Só que nesse país e talvez no mundo todo, NINGUÉM barra o brega-romântico-sentimental. E isso não quer dizer que o que é sentimental é REALMENTE superior ou que nos EMOCIONA mais: quer dizer apenas que é o estilo no qual os grandes empresários mais investem, é o estilo ao qual acostumaram o grande público. O ser humano sempre gosta do que CONHECE. Ou seja, se a arte mais sofisticada (o que não quer dizer não-popular) fosse mais divulgada, o público passaria a conhecê-la e apreciá-la, o que na minha opinião mudaria todos os aspectos do país: educaria o povo, tornaria-o mais ávido por leitura, por consciência, a política melhoraria, etc. Não estou dizendo que o objetivo da arte seja educar/moralizar o povo. Longe disso! Mas seria um agradável efeito colateral.

Beijos!

2)Você acabou de se ferrar, porque puxou um assunto que eu realmente gosto de discutir e agora vou escrever um email gigante e você vai ter que ler tudo!

Trabalhar COM sentimentos é uma coisa, trabalhá-LOS é outra. Acho que sentimentos, quando caem no óbvio, viram novela das 8. Eles precisam ser trabalhados. Só acho que atualmente são poucos os artistas que desenvolvem melhor as coisas, os que trabalham em cima de uma idéia até ela ficar boa. Geralmente, faz-se tudo de qualquer jeito e a arte parece que já vem digerida, não exige esforço. Na minha opinião, isso cria um ciclo vicioso, pois, quanto menos esforço a arte exige, mais acostumado fica o público ao que é fácil e os novos artistas precisam fazer cada vez menos esforço (artístico e não empresarial) pra conquistar o público. Sei que existem sons ou livros mais trabalhados por aí que vendem mas, em comparação com a arte fácil, a venda é quinhentas vezes menor.

Não que a arte tenha que ser trabalho puro: a inspiração é condição necessária, mas não suficiente. Depois que ela vem (e acredito que ela seja privilégio de poucos), precisamos colocá-la em sua melhor forma, na forma que deixe transparecer o conteúdo da maneira que queremos. E isso é DIFÍCIL, requer tempo, paciência, MUITA paciência e esforço mental. Vejo que muitos artistas dão a inspiração ou o sentimento ou a boa intenção por suficiente e não fazem questão de colocá-la numa forma interessante, que a faça vibrar com toda a sua intensidade.

Exemplo disso é a quantidade de músicas novas que encontramos por aí com as sílabas tônicas das palavras caindo todas no lugar errado da melodia, o que realmente me dá calafrios. Pois, com um pouquinho mais de cuidado, de estudo, de tempo dedicado (ex: dar uma olhadinha num dicionário de rimas ou de sinônimos), esse problema estaria resolvido (OBS: há também as pessoas que SABEM usar uma sílaba tônica no lugar errado, o que é muito interessante). Mas, como no Romantismo, o desleixo da forma é justificado pela intensidade do conteúdo. É esse o princípio, na realidade, que mais me incomoda. Por que não unir forma e conteúdo? Pra mim, esse negócio de deixar a forma pra lá em benefício do conteúdo é mera desculpa pra não ter o tão suado trabalho que a forma exige. Os conteúdos, na minha opinião, dizem respeito ao SER HUMANO: o principal dom do ARTISTA tem que ser a visualização da forma, da maneira como aquele conteúdo será exposto para causar a reação desejada. João Cabral de Mello Neto, quando perguntado se escrevia no auge da emoção, respondeu: "De jeito nenhum: escrevo friamente para emocionar o leitor". Ou seja, há um trabalho na poesia dele.

E, se o conteúdo não salva a forma, quantas vezes a forma não salva e mesmo CRIA o conteúdo? Quantas vezes uma música, não tão boa se tocada só no violão, fica maravilhosa quando arranjada de uma maneira criativa? Às vezes a forma boa faz o próprio compositor mudar seu ponto de vista a respeito da música que fez.

Existe uma diferença entre arte e desabafo. Acho que a maior parte do que está por aí é desabafo. A confusão acontece porque tanto a arte quanto o desabafo são formas de expressão, mas o requinte da forma está presente apenas na arte. E sem forma, para mim, não há conteúdo que seja interessante o suficiente. Isso é difícil de explicar sem parecer que considero a arte uma mera técnica, como os clássicos faziam - não é isso, não mesmo. Não acredito que existam FÓRMULAS para a arte, apenas considero-a óbvia demais e desinteressante quando desprovida de FORMA, de uma estética, um feeling misterioso por trás.

E a forma pode ser SIMPLES sem ser óbvia. Aliás, bons mesmos são os que fazem o "simples, porém denso", os que expressam muito usando muito pouco e deixam um mistério a ser resolvido pelo receptor. Gosto do que me intriga, do desafio. Por isso, quando escuto essas letras que falam tudo na cara (tipo: "te amo e preciso de você, não me abandone, não me deixe a te esperar..."), penso: isso não é uma letra de música... é uma carta de amor musicada, é um trecho de diário, é um bilhete passad0 na sala de aula, qualquer coisa, menos arte. E isso é apreciado pelo público. Ouço pessoas dizendo "essa letra é FODA", "o cara falou tudo". Enquanto Cazuza falava de uma noitada de sexo hiper quente com a seguinte sutileza: "Pro dia nascer feliz, pro mundo inteiro acordar e a gente dormir". O poeta foge do óbvio porque tem visões densas e quer pintá-las como as vê.

Não tenho nada contra nenhum estilo. TODOS são maravilhosos SE forem trabalhados, se houver dedicação, reflexão, pesquisa, meditação, experimentação. Na verdade, eu já recebi várias mensagens criticando aquele meu texto e percebi que eu realmente deveria ter sido um pouco menos explosiva e mais clara. Mas eu realmente tava precisando explodir aquilo! Muitas idéias que estão ali nem são mais tão presentes na minha cabeça, mas eu precisava colocá-las no papel de uma vez por todas.

Agora, outro assunto intrigante e importante a ser discutido são os diferentes tipos de público que existem. Pois sinto que o público, ao mesmo tempo que engole qualquer coisa, é hiper exigente e muito difícil de ser enganado. É estranho... Mas a única explicação que tenho pra isso é que o público é muito heterogêneo, cada um ali dentro busca uma coisa diferente: um quer pular, outro quer paquerar, outro quer sofrer, outro é apaixonado pelo baixista da banda...

E outro assunto ainda é até que ponto a arte é democrática. Pois, ao mesmo tempo que acho que todos têm o direito de escrever, cantar, compor, etc., são poucos os que realmente sabem fazer essas coisas. Tem gente que não sabe escrever e escreve e, o que é pior, não faz nenhum grande esforço para aprender a escrever, pois geralmente a tal pessoa NÃO SABE que escreve mal. É estranho, mas para saber que se escreve mal é necessário saber, de alguma forma, o que é escrever bem. E, infelizmente, talvez devido justamente à banalização da forma, são poucos os que sabem.

Essa segunda discussão é muito complicada, pois não sei exatamente qual é a natureza do "talento" artístico, não sei se é genético, se é resultado do sofrimento ou do estudo ou do quê. Existem milhões de tipos de talento, mesmo no interior de cada arte ou ciência. Por exemplo: existem instrumentistas maravilhosos, que são muito criativos, mas que não têm o tempo cravado, ou melhor, não têm aquele ritmo sinistro que os negões americanos da batera têm. Existe também o contrário: pessoas que têm uma facilidade absurda com o ritmo, mas que não são muito criativas. Existe de tudo por aí. O Elvis Costelo é um que toca mal, mas é super criativo na guitarra. Dá pra ver que o cara não tem ritmo. Mas só com aquelas músicas e aquela voz, na minha opinião, ele já tá liberado pra fazer qualquer coisa.

O que não pode é uma banda estourar só porque investiram dinheiro ou porque "os caras ralaram". Caguei se eles ralaram. Eu os respeitaria mais se eles assumissem, antes da ralação, a incapacidade artística. Ou se ralassem no sentido de serem melhores artistas e não no de fazer sucesso. É importante que as pessoas RENUNCIEM também, que não queiram ser o que não são. Cantor tem que cantar. Não tem jeito: quem não canta não pode ser cantor.

Por outro lado, há espaço pra todos. As bandas ruins serao consumidas tanto quanto, ou muito mais do que as boas. Tem gente que GOSTA delas, que se diverte mesmo. Por isso, acho que elas têm seu papel TAMBÉM. Mas tem que ser papel de coadjuvante e não de personagem principal, etc., etc., etc.

CHEGA!!!!!!!!

Beijos!

11.11.05

Autobiografia (resumida)

No dia anterior:
- É amanhã!

No dia:
- É hoje!

No dia seguinte:
- Foi ontem...

10.11.05

Preto e Branco

Tudo começou (ou terminou) com uma insatisfação. Antes era tudo sentimento: sentir o sonho, sentir a esperança, sentir o auge, sentir o sentimento. De repente fiquei insatisfeita e como um boi que não soubesse falar demorei meses pra entender que era revolta contra o sentimentalismo. Que tipo de cultura imbecil nos cria para que não consigamos dizer a nós mesmos coisas tão triviais? Na verdade, nem foi a mim mesma que eu disse... Eu tava conversando com o meu namorido e acabou saindo "sabe o que é? Estou de saco cheio desse sentimentalismo". A epifania foi tal que hoje me envergonho de ter dedicado semelhante emoção a tão imbecil descoberta.

Mas foi assim mesmo. Foi o fim do sentimentalismo e o pulo no vazio porque ele era tão meu - dói assumir isso, mas era - que não me recoheci quando o deixei pra trás. Mas antes dele, havia o vazio. O sentimentalismo nasceu do meu contato com a espécie humana, que se iniciou por volta dos meus quinze anos e fechou seu ciclo precoce aos dezenove. A falta de QI social me rendeu uma burrice sentimental à qual me apeguei por quatro anos, sem suspeitar.

A burrice sentimental se tornou visível para mim quando olhei para os outros - os que eu achava feios - e vi o mesmo sentimentalismo barato neles: a adoração do auge, do refrão da música, da apoteose dos filmes, da confissão desabafada do amigo e da cinematográfica declaração de amor da mulherzinha/homemzinho da night que ninguém conhece (e por isso mesmo todo mundo idolatra).

Depois disso minha vida não saía muito de casa e quando muito da cama, pois não pude mais deixar de reparar que TODOS, simplesmente todos ao meu redor (e na TV, no cinema, na música, na mídia) estavam infectados pelo vírus do sentimentalismo. E, como sempre foi na minha vida, quando o mundo está doente, quem fica de quarentena sou eu. Internei-me e desisti de tudo quanto é tipo de arte. Parei de escrever, de fazer música, quase parei mesmo de falar, pois nada me vinha à mente que não fosse uma frase/constatação sentimental (submetida, a esta altura, a uma mui prazerosa série sado-masoquista de xingamentos).

E agora o que fazer? Tudo continua. Adoraria dizer que me curei, que descobri a nova fórmula, a verdadeira fórmula moderna de produção artística, mas estou praticamente na mesma. Na verdade, estou em transição (ver quadro postado anteriormente) o que já é melhor do que estar no nada. Estou em transição por causa da prova que acontecerá dia cinco de dezembro na PUC para a seleção do Mestrado em Literatura Brasileira.

Como eu ficava em casa reclamando o dia inteiro, o meu namorido me sugeriu, ou melhor, exigiu que eu passasse a feqüentar um psicólogo, o que me recusei terminantemente a fazer, por considerar esse negócio de psicanálise terrivelmente sentimental. Mas, já que era para o bem do relacionamento e, além disso, uma oportunidade de pedir dinheiro pro meu pai e ouvir uns bons conselhos como resposta (i.e. quando digo ao meu pai que quero um psicólogo ele cura todos os meus traumas na hora só pra não ter que pagar), liguei pro meu pai. É claro que ele, no instinto de proteger sua conta bancária, soube intuitivamente me diagnosticar dizendo uma simples frase que eu havia muito tempo conhecia e da qual não gostava, mas que naquele momento me fez entender o que estava acontecendo. "Cabeça vazia, oficina do Diabo".

- Claro que não pai, não é nada disso.
- Então começa a fazer alguma coisa que você vai ver que vai passar.
- É que eu fui gorda na infância, pai, minha vida social é nula, odeio o sentimentalismo e, ainda por cima, o meu vizinho é um alemão tarado...
- Minha filha, volte a estudar.
- Mas eu já me formei!
- Tá na hora de fazer o mestrado!
- Ah! Isso você paga né?!
- Não. É de graça.

Na hora continuei meio zangada, até que outra bendita frase ecoou na minha cabeça como a última gota d´água de uma tempestade: "ninguém liga pros meus sentimentos! (mentos, mentos, mentos...)". A simples constatação de que eu estava me fazendo de coitada e a conseqüente nova revolta contra o sentimentalismo e sua mais vital companheira, a self-pitty, me fez entrar no site da PUC e baixar tudo o que era necessário para me inscrever na seleção do Mestrado.

Entre os requisitos, ler doze livros - enormes. Na hora entrei em pânico, mas logo me acostumei à idéia e comecei a procurá-los no site da biblioteca. A maioria estava lá.

No dia seguinte, fui até lá, peguei os livros e comecei a ler. A partir daí, entrei num mundo muito mais de acordo com os meus sentimentos pré-sentimentalistas e, melhor (ou pior), tive a oportunidade de estudar o movimento sentimental por excelência (o que na hora me deu ânsias de vômito, mas agora vejo a importância desse estudo) - o Romantismo.

Jamais, se não fosse por obrigação, eu pegaria um livro sobre Romantismo pra ler. Junto à minha revolta contra a burrice sentimental, eu havia desenvolvido uma raiva suspeita do Romantismo, a ponto de não poder ouvir a palavra "romântico" sem fazer cara feia.

Se hoje ainda odeio o Romantismo com toda minha fibra, ao menos pude compreendê-lo o suficiente para odiá-lo com base. Hoje sei o quão importante é que estudemos nossos inimigos com o dobro da profundidade que geralmente dedicamos ao estudo daqueles que amamos; enquanto o conhecimento dos inimigos nos dá material para xingá-los (o que não raro proporciona refinado prazer), o conhecimento dos que amamos nos causa profunda desilusão e implica perguntas perigosas, do tipo: "Será que amo mesmo esse babaca?".

Para quem não gosta de ler e jamais terá a paciência de ler quase mil páginas sobre o tema, deixo aqui, em uma linha, minha terrível constatação: "o Romantismo é o mais explorado recurso estético da modernidade". Ele está em todos os lugares e, indiferente à intensidade do esforço que os grandes artistas do nosso tempo façam para popularizar formas de arte menos sentimentais, é sempre o mais aplaudido, o mais assistido, o mais vendido, o mais comentado, o que derrama mais lágrimas e causa os mais sinceros sorrisos.

Bem, a partir de agora, passarei a estudar os assuntos que odeio com profundidade acadêmica e deixarei os que têm misticamente me atraído (minimalismo, pós-modernismo, surrealismo) no mais inculto mistério.

E do fundo dessa minha profunda ignorância, acredito que o minimalismo deva ser tão simples e contido quanto é complicado e transbordante o Romantismo e aposto nele como início de uma inspiração para um próximo CD.

Preto e branco.

Nada mais.

transicao Posted by Picasa

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Por mais que eu quisesse sentar aqui e escrever por umas cinco horas seguidas sobre tudo o que está me acontecendo - e é muito - preciso ler. Porque a maldita e bendita prova está chegando (mais tarde falo sobre ela e suas terríveis/adoráveis conseqüências) e ainda faltam 956 páginas (por que será que o 6 tá saindo meio penduradinho?). Vou lá... Mas volto depois.